O crédito mais caro e a maior seletividade dos bancos estão abrindo espaço para empresas especializadas montarem operações estruturadas de financiamento para o agronegócio. A CPR (Cédula de Produto Rural é um dos principais instrumentos usados nesse tipo de operação.
Embora seja um instrumento conhecido do setor, a diferença é que agora a CPR vem sendo usada em operações de maior porte e mais customizadas, nas quais o banco olha não apenas para a capacidade de pagamento, mas também para a estrutura do negócio e as garantias oferecidas.
Os tíquetes podem superar R$ 20 milhões e os prazos, em alguns casos, chegam a cinco anos. Segundo Pedro Boldrin, da Agrocrédito São Pedro, o custo médio das operações estruturadas pela empresa está em torno de CDI mais 2 pontos percentuais.
A empresa atua como estruturadora: não coloca capital próprio nas operações, mas organiza as informações sobre o produtor, estrutura as garantias e busca entre os bancos parceiros aquele disposto a assumir o risco.
A mudança ocorre em um ambiente de juros elevados, no qual o custo do dinheiro passou a pesar mais diretamente na viabilidade dos projetos rurais. Para operações de maior porte, não basta encontrar uma fonte de recursos, é preciso definir prazo, garantia, estrutura de pagamento e um risco compatível com o retorno esperado da atividade.
A análise de crédito também se tornou mais ampla.
