A polêmica em torno da fake news sobre Nossa Senhora Aparecida, que envolve Flávio Bolsonaro e decisões de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), gerou debate sobre o papel da desinformação no cenário político brasileiro. Para o sociólogo e cientista político Alberto Carlos Almeida ao WW, esse tipo de conteúdo falso só alcança efetividade quando carrega algum lastro na realidade.
Almeida explicou que as fake news que circulam no ambiente político operam de maneira distinta daquelas que surgem em contextos próximos, como o local de trabalho.
Segundo ele, as que tratam de temas políticos distantes do cotidiano do eleitor só repercutem quando transmitem uma mensagem que, mesmo sendo falsa, reflete algum elemento verdadeiro sobre a pessoa ou grupo que é alvo da desinformação.
Para fundamentar sua análise, Almeida recorreu a exemplos do passado político brasileiro. “No passado, quando o PT era radical, se dizia que se o PT vencesse iria invadir a casa das pessoas e distribuir cômodos para os mais pobres”, afirmou.
Para ele, essa fake news tinha um “fundo de verdade”, pois remetia à imagem do partido como socialista e radical.
Da mesma forma, a fake news de que o PSDB acabaria com o Bolsa Família, caso eleito, também encontrava respaldo na percepção pública, uma vez que o partido “falava sempre muito mal do Bolsa Família” e defendia uma “porta de saída” para o programa.
