Na última sexta-feira (25), o Governo Federal publicou a Medida Provisória 1.394 e proibiu, com efeito imediato, a exploração e a publicidade das apostas de quota fixa no país. Para retirar todo material publicitário e todo sinal de patrocínio, em meio físico ou digital, a MP deu dez dias. Camisa, placa de estádio, vinheta, painel de rua, post patrocinado: tudo precisa sumir até 5 de outubro, com o Brasileirão em andamento e o próprio campeonato batizado com o nome de uma bet.
A discussão pública ficou concentrada nas casas de apostas e nos apostadores. Quem mais vai sentir o golpe, porém, está do outro lado da mesa: o clube, a emissora, a rádio, a agência, a produtora, o promotor de evento. Nenhum deles explora apostas. Venderam espaço, camisa, audiência e trabalho a empresas que tinham autorização do Ministério da Fazenda para funcionar.
No futebol, mais da metade dos clubes da Série A e da Série B tinha uma bet como patrocinadora máster às vésperas da MP. São contratos de vários anos, alguns até 2030, sobre os quais se montaram folha salarial e planejamento esportivo. Dificilmente um clube encontra outro patrocinador desse porte em dez dias, no meio da temporada, com dezenas de concorrentes batendo na mesma porta. Até a CBF perde o patrocinador que dá nome ao Brasileirão e à Copa do Brasil.
Na mídia, as apostas viraram em pouco tempo um dos maiores anunciantes do país, com R$ 2,9 bilhões em compra de mídia só em 2025. Globo, Band e RedeTV!
