O Brasil enfrenta um desafio que vai muito além da dependência de fertilizantes. O país importa mais de 90% dos fertilizantes que utiliza, o que deixa o produtor exposto a oscilações de preços, problemas logísticos, restrições comerciais, variações cambiais e mudanças no mercado internacional. A mesma preocupação se aplica aos defensivos agrícolas, também fortemente dependentes do mercado externo, ainda que o Brasil não tenha enfrentado, até o momento, crises de abastecimento dessa natureza com a mesma dimensão observada no mercado de fertilizantes. Reduzir essa vulnerabilidade exige aprimorar a produção nacional, diversificar fornecedores e desenvolver novas alternativas para a nutrição e a proteção das plantas.
É nesse contexto que os bioinsumos assumem importância estratégica. Tecnologias biológicas podem complementar fertilizantes convencionais, aumentar a eficiência do uso de nutrientes e criar novas possibilidades para a produção agrícola. Também podem contribuir para reduzir a dependência de tecnologias importadas e ampliar a capacidade brasileira de desenvolver soluções adaptadas às condições tropicais.
Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a discussão sobre bioinsumos não pode ser tratada como uma agenda isolada. Ela faz parte de uma estratégia mais ampla de segurança de abastecimento, competitividade e soberania sobre os insumos utilizados pela agricultura brasileira.
