A ex-prefeita de Magé pelo PMDB e ex-deputada estadual Núbia Cozzolino foi condenada a 36 anos, 11 meses e 10 dias de reclusão por liderar uma organização criminosa que manipulava processos judiciais de seu interesse na Justiça de Magé. A sentença foi proferida na 2ª feira (28.set.2026). Outros 4 integrantes do grupo também foram condenados, com penas de até 29 anos e 2 meses.
Segundo o MP-RJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro), o esquema funcionou do início de 2017 a agosto de 2018 e envolveu ações civis públicas e de improbidade administrativa nas quais Núbia figurava como ré.
Advogados ligados à ex-prefeita retiravam processos físicos do cartório e os devolviam com documentos adulterados no lugar das folhas originais. As alterações modificavam fatos, fundamentos, pedidos e valores dos processos.
Em um dos casos, o valor da causa foi reduzido de R$ 500 mil para R$ 100 mil. Segundo o MP-RJ, as mudanças tinham como objetivo reduzir consequências econômicas e evitar efeitos de eventual condenação, como a inelegibilidade.
O grupo também produzia folhas timbradas do MP-RJ e do Tribunal de Justiça, reproduzia assinaturas de promotores e de magistrado, falsificava carimbos funcionais e usava etiquetas para dar aparência de autenticidade aos documentos.
Para identificar as fraudes, o MP-RJ analisou cerca de 110 processos, reunidos em aproximadamente 750 volumes.
