Na década de 1970, o padre italiano Giovanni Gallo assumiu a paróquia na Vila de Jenipapo, na Ilha do Marajó (PA). Sem recorrer a equipamentos eletrônicos convencionais, Gallo desenvolveu o chamado “computador caipira”, uma estrutura artesanal composta por painéis de madeira, barbantes e manivelas.
Para financiar benfeitorias locais e a criação de um museu, o religioso ensinou moradoras a empalhar piranhas, exportando 12 mil exemplares para a Itália.
O lucro obtido financiou a construção do Museu do Marajó. Fundada em 1981 em Santa Cruz do Arari e transferida posteriormente para Cachoeira do Arari, a instituição destacou-se por sua expografia interativa.
Padre Gallo: quem é o sacerdote italiano que empalhou 12 mil piranhas, exportou para a Europa e usou o dinheiro para obras no Brasil
Padre italiano vendeu 12 mil piranhas empalhadas para erguer pontes e uma pista de pouso na Amazônia
Mãe de Carlo Acutis diz que testemunhos de milagres chegam quase todos os dias
O museu e a “invenção”
O dispositivo permitia a interação direta com o acervo. Ao puxar fios e girar peças de madeira, os visitantes manipulavam a exposição para acessar informações sobre a cultura e a cerâmica marajoara. A proposta pedagógica buscava transformar o público em agente ativo do processo, em um conceito denominado pelo criador como “museu em primeira pessoa”.
