A indústria brasileira paga US$ 15 por milhão de BTU (sigla para British Thermal Unit ou unidade térmica britânica) de gás natural, enquanto países vizinhos desembolsam de US$ 3 a US$ 4 pela mesma unidade.
O diagnóstico é do CEO da Usiminas, Marcelo Chara, em entrevista ao Poder360 nesta 4ª feira (30.set.2026), durante o Congresso Aço Brasil 2026, em São Paulo. Segundo o executivo, o custo elevado se dá em toda a cadeia, da molécula ao transporte e à distribuição.
Chara disse que o Brasil, apesar de estar entre os maiores produtores de petróleo do mundo e produzir mais que o dobro do gás natural que consome, ainda importa o combustível. Para reduzir os preços, defendeu a revisão de contratos, tributos, transporte e distribuição, com participação da Agência Nacional do Petróleo, governos e fornecedores.
O executivo afirmou que a mudança exige uma política de Estado com horizonte de 10 a 20 anos. Também disse que o gás natural pode complementar a geração renovável diante dos cortes de produção de energia, conhecidos como curtailment. “Isso requer uma iniciativa que tem que ter uma política de Estado de longo prazo”, declarou.
A Usiminas confirmou ainda investimento de R$ 1,7 bilhão em uma nova bateria de coque em Ipatinga (MG). O projeto prevê o abastecimento da planta com combustíveis próprios e o aproveitamento de gases gerados nos processos industriais. Chara afirmou que a decisão demonstra confiança no desenvolvimento da indústria brasileira nos próximos 15 a 20 anos.
