Produtores brasileiros de alho estão reduzindo a área plantada diante da dificuldade de competir com o produto importado. A Anapa (Associação Nacional dos Produtores de Alho) estima uma retração de aproximadamente 15% na área cultivada nesta safra, em um cenário de custos elevados e aumento da entrada de alho estrangeiro no mercado brasileiro.
As importações, que haviam recuado entre 2020 e 2024, voltaram a crescer no ano passado. Em 2025, o Brasil importou 158,8 mil toneladas de alho fresco ou refrigerado, alta de 9,1% em relação a 2024. Em valor, as compras somaram US$ 228,9 milhões, avanço de 11,3%, segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).
Para Rafael Jorge Corsino, presidente da Anapa, o problema está na diferença entre o custo de produção brasileiro e o preço do produto importado. Segundo ele, produzir um quilo de alho no país custa atualmente entre R$ 14 e R$ 16, enquanto o produto importado chega ao mercado na faixa de R$ 11 a R$ 12 por quilo.
“O custo para produzir alho aqui no Brasil é muito alto. Hoje, as importações representam práticas desfavoráveis à concorrência”, afirmou.
Corsino atribui parte da pressão sobre os custos à carga tributária, aos juros e à dependência de fertilizantes e combustíveis importados. Segundo o dirigente, a combinação desses fatores reduz a margem dos produtores e já leva agricultores a vender o produto abaixo do custo de produção.
