Urnas eletrônicas em Alagoas prontas para eleições 2026 - 20.09.2026
Luiz Roberto/TSE
Em 1997, o cientista político Gary Cox publicou "Making Votes Count", o livro que se tornou a referência sobre como as regras eleitorais moldam o comportamento do eleitor. A ideia central é simples: o voto útil não é um ato de traição às convicções, mas um cálculo. O eleitor abandona o candidato de sua preferência quando percebe que ele não tem chance de vencer e que insistir nele pode facilitar a vitória justamente daquele que mais rejeita.
Para esse cálculo acontecer, Cox mostra que três condições precisam estar presentes: o eleitor se importa com o resultado (não vota apenas para expressar uma identidade), sabe quem é viável e quem não é, e essa informação é compartilhada por todos, o que, nas democracias modernas, é o papel das pesquisas. Quando os três ingredientes se combinam, a disputa converge para os dois nomes com chances reais, e os demais encolhem. Cox chama isso de "deserção estratégica".
As últimas três rodadas da Quaest em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco e Distrito Federal mostram esse mecanismo em funcionamento. Somei, em cada estado, as intenções de voto de Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), os quatro nomes que disputam o espaço fora da polarização, e comparei com a evolução da vantagem de quem lidera o primeiro turno nas três últimas rodadas (8, 23 e 29 de setembro).
O voto útil já começou, e ele beneficia quem lidera em cada estado
