Em junho de 2019, quando Daniel Vorcaro ainda estava no processo de assumir o controle do Banco Máxima, depois rebatizado Banco Master, um grande vazamento de mensagens deflagrava uma crise no sistema de Justiça brasileiro. Não tinha nada a ver com Vorcaro, ainda um desconhecido. O escândalo que eclodiu mostrava diálogos, entre outros, com o procurador da República que coordenava a operação Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, e o então juiz federal Sergio Moro nos quais eles combinavam estratégias de atuação.
As mensagens haviam sido obtidas de forma ilegal por um hacker. Traziam inúmeros detalhes da articulação da força-tarefa de Curitiba para investigar e tentar condenar empresários e políticos de diversas esferas e partidos envolvidos no escândalo de corrupção, inclusive o então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
À época, o STF estava acuado pela ação de Moro e dos procuradores da Lava Jato. A Corte havia perdido protagonismo. A Lava Jato dominava o noticiário. Alguns ministros, notadamente Gilmar Mendes, viram na Vaza Jato um impulso para declarar o juiz suspeito e frear a operação.
Quase 7 anos depois, outro vazamento de mensagens voltou a abalar a Justiça brasileira. Elas estavam no celular de Vorcaro, apreendido com a 1ª prisão do ex-banqueiro, em novembro de 2025. Incluem diálogos com Moraes que tratavam da sua estratégia de defesa. As primeiras conversas vieram à tona em março de 2026.
