Uma questão proposta em uma sala de aula apresenta um preço com desconto e, em seguida, um aumento percentual. O estudante soma ou subtrai as duas porcentagens, marca a alternativa e segue adiante, sem perceber que cada uma incide sobre um valor diferente. A conta estava certa. A leitura, não.
O exemplo é de Fábio Yamamoto, professor de matemática do ensino médio da Escola Bilíngue Pueri Domus. Para ele, situações desse tipo mostram como uma questão pode se perder antes mesmo de o estudante começar a resolvê-la. “Muitas vezes o erro começa na leitura e só aparece depois como um erro de cálculo”, afirma. O aluno sabe fazer a conta, mas não identifica o que está sendo pedido.
A prova de Matemática e suas Tecnologias terá 45 questões e será aplicada no segundo domingo do Enem, em 15 de novembro, junto com as 45 questões de Ciências da Natureza. Esta edição tem 5.055.818 inscritos, segundo o MEC, o maior número desde 2022. Parte do crescimento vem de uma novidade desta edição: a inscrição automática dos concluintes do ensino médio da rede pública.
Os resultados mais recentes ajudam a colocar esse desafio em perspectiva. Em 2024, a média nacional em Matemática caiu de 535 para 529 pontos, a maior queda entre as áreas avaliadas. No conjunto do exame, porém, a média subiu de 543 para 546 pontos, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
É nesse cenário que a reta final ganha outro contexto.
