As forças dos EUA vão se retirar de suas bases restantes no Iraque nesta quarta-feira (30), gerando receios de que deixem para trás um vácuo de segurança, encorajem ainda mais as milícias apoiadas pelo Irã e ofereçam ao ressurgente grupo Estado Islâmico uma oportunidade de se reorganizar.
A retirada, celebrada como uma vitória por Teerã e seus aliados, foi acordada em 2024 sob a presidência de Joe Biden e executada pela administração de Donald Trump, mesmo enquanto esta trava uma guerra contra o Irã, que exerce influência no Iraque por meio de grupos aliados.
O movimento ocorre 23 anos depois que forças lideradas pelos EUA derrubaram Saddam Hussein, desencadeando então uma onda de agitação e caos que culminou na ascensão do Estado Islâmico.
Embora a saída das Forças Americanas conte com amplo apoio entre os iraquianos, alguns temem que as forças de segurança treinadas e financiadas pelos Estados Unidos ainda não sejam capazes de proteger o país, onde 4.500 militares americanos morreram ao longo de mais de 20 anos de guerra.
“A lição das últimas duas décadas é que vácuos de segurança podem ser extremamente perigosos”, afirmou Jassim al-Bahadli, analista iraquiano que presta consultoria às forças de segurança.
As forças dos EUA invadiram o Iraque em 2003 e ocuparam o país, instalaram um governo liderado por xiitas e travaram uma longa campanha de contrainsurgência, primeiro contra leais a Saddam e depois contra a Al-Qaeda, antes de se retirarem no final de 2011.
