A decisão do governo federal de proibir as operações das chamadas bets no país provocou uma reação em cadeia no futebol nacional que pode travar o calendário esportivo. Segundo informações do colunista Marcel Rizzo, do Estadão, dirigentes de diversos clubes brasileiros intensificaram as articulações contra a medida e colocaram na mesa uma possibilidade extrema: a paralisação do Campeonato Brasileiro.
O primeiro reflexo do descontentamento ocorreu nesta terça-feira, 29. Uma reunião agendada entre os presidentes dos clubes e integrantes do governo federal foi cancelada após os cartolas organizarem um boicote conjunto e avisarem que não compareceriam.
O movimento teve adesão até mesmo de diretorias mais alinhadas ao Planalto, como a do Corinthians, que atualmente negocia com a Caixa Econômica Federal a quitação de seu estádio e encabeça tratativas por crédito facilitado para o setor.
A ameaça de não entrar em campo no Brasileirão tem dois alvos definidos: o próprio governo e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Em relação ao governo, a pressão visa a garantir um prazo de transição. Os clubes querem um período de seis meses a um ano para encerrar a publicidade das empresas de apostas de forma gradual. Para os dirigentes, a contrapartida oferecida pelo Planalto até o momento, a criação de uma linha de crédito a juros baixos para o pagamento de dívidas, é considerada insuficiente e já vinha sendo discutida antes mesmo do anúncio da proibição.
