Incertezas sobre o clima, revisões nas projeções de consumo e cortes de geração se somam à crise de confiança entre empresas e ampliam a busca por proteção no mercado de energia. Diante da volatilidade dos preços e da preocupação com o cumprimento dos contratos, companhias têm recorrido cada vez mais a derivativos e garantias financeiras para reduzir sua exposição, segundo a diretora-presidente da BBCE, Camila Batich.
Um indicador desse movimento é o avanço dos derivativos de energia na BBCE, plataforma de negociação do setor. A empresa encerrou agosto com R$ 10 bilhões em estoque desses instrumentos, alta de 230% em relação ao mesmo período de 2025. O indicador corresponde ao valor dos contratos vigentes na plataforma, e não apenas aos negócios fechados naquele mês.
Em entrevista ao Alta Voltagem, da CNN, a diretora-presidente da BBCE, Camila Batich, afirmou que a mudança de comportamento acompanha um ambiente de maior preocupação com a segurança das transações.
“A gente enfrentou uma crise de confiança que fez com que as empresas fizessem mais gestão de risco”, disse.
A sequência de recuperações judiciais e extrajudiciais de comercializadoras expôs a dimensão do problema. Levantamento da CNN identificou ao menos R$ 8,6 bilhões em dívidas de empresas atingidas pela crise, com estimativas de agentes do setor de que o passivo total possa superar R$ 10 bilhões.
