Quem já se pegou gesticulando no meio de uma explicação, ou se sentiu constrangido ao rever um vídeo próprio balançando os braços sem parar, talvez tenha se perguntado se existe algo de errado nisso.
A resposta da ciência é que não. Um conjunto crescente de pesquisas em psicologia cognitiva e neurociência aponta que o movimento das mãos durante a fala está entrelaçado ao próprio processo de pensar e se comunicar, e não é um comportamento acessório ou dispensável.
Um comportamento presente mesmo sem exemplo visual
Um dos achados mais citados sobre o tema vem do trabalho da psicóloga Susan Goldin-Meadow, da Universidade de Chicago, cuja pesquisa demonstra que o gesto beneficia tanto quem fala quanto quem escuta.
Um dado chama atenção nesse campo de estudo: pessoas cegas de nascença, que nunca viram ninguém gesticular, também movimentam as mãos quando falam, inclusive ao conversar com outras pessoas cegas que não podem ver o gesto.
Para pesquisadores da área, isso sugere que gesticular é um comportamento instintivo, embutido na forma como os humanos organizam a linguagem, e não algo aprendido por imitação.
Esse caráter universal aparece também entre culturas diferentes. Trabalhos publicados na área reforçam que o gesto é estrutural ao processamento da fala, e não apenas decorativo, aparecendo em praticamente todas as populações humanas estudadas até hoje.
Por que a mente prende você ao passado mesmo quando ele já acabou?
