É mais simples derrubar uma árvore hoje do que era antigamente. Basta apenas um “click”, na verdade - principalmente se você for o líder político de um Estado. Publicada recentemente na revista científica The Journal of Politics, uma pesquisa liderada por cientistas da Universidade de Bonn (Alemanha) encontrou evidências de que declarações contrárias à conservação florestal feitas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e por integrantes de seu governo foram acompanhadas por aumentos no desmatamento da Amazônia em 2019, primeiro ano de seu mandato.
Os pesquisadores estimam que, naquele ano, entre 190 e 1.700 quilômetros quadrados de floresta tenham sido afetados pelo efeito dessas mensagens.
O estudo analisou milhares de publicações feitas pelo então líder político e ministros da Agricultura, do Meio Ambiente e das Relações Exteriores. O objetivo da pesquisa foi investigar se a comunicação do governo - ou, especificamente, do Presidente da República - poderia alterar a percepção de risco de quem desmatava ilegalmente.
Para isso, a equipe analisou mais de 3.600 publicações e, entre elas, foram identificadas 38 mensagens consideradas sinais de que o governo poderia tolerar ou oferecer menor risco de punição a quem descumprisse as regras de conservação florestal.
Notificação esperada
Dá até para considerarmos a situação como mais um caso tragicômico do governo de Bolsonaro, até porque ele cumpriu o que tinha prometido aos seus eleitores.
Novo estudo associa tweets de Bolsonaro a alta do desmatamento na Amazônia
