Autoridades chinesas voltaram a enquadrar contribuições religiosas de igrejas cristãs não registradas como possível fraude. O caso mais recente envolve Gao Quanfu, pastor de 69 anos da igreja doméstica Light of Zion, em Xi’an. Segundo a acusação divulgada em setembro, a promotoria afirma que Gao e outros líderes teriam obtido cerca de 25,5 milhões de yuans em ofertas de fiéis e pede pena de 12 a 13 anos de prisão. A acusação sustenta que parte dos recursos teria sido usada para fins pessoais e aquisição de imóveis.
A defesa e familiares contestam a versão da promotoria. Eles afirmam que os valores eram dízimos e ofertas entregues voluntariamente pelos próprios membros da igreja e que não houve engano. Segundo documentos divulgados por organizações de defesa da liberdade religiosa, apenas cerca de 2,3 milhões de yuans do montante total estariam associados a 235 pessoas apresentadas pela acusação como vítimas; os defensores questionam como os demais recursos foram classificados como produto de fraude. Gao permanece detido, assim como outros integrantes ligados à congregação.
O episódio não é isolado. Em fevereiro de 2026, o pastor Zhou Songlin e o líder Ding Zhongfu, da Ganquan Church, foram condenados a quatro anos e meio e quatro anos de prisão, respectivamente, também em um processo envolvendo contribuições financeiras de uma igreja não registrada.
