A campanha eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a apresentar a desoneração da cesta básica nacional como uma das realizações do atual governo. Nas inserções exibidas na televisão, a medida aparece entre as ações usadas para afirmar que a situação econômica das famílias brasileiras deve melhorar a partir de 2027.
Todavia, dois vídeos de reuniões realizadas durante as discussões sobre a reforma tributária revelam uma versão diferente da apresentada pela campanha petista. As imagens, obtidas com exclusividade por Oeste, mostram o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Galassi, discutindo a tributação dos alimentos com Bernard Appy, então secretário extraordinário da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda. Nos encontros, enquanto a Abras pressionava por uma cesta básica mais ampla e integralmente desonerada, Appy resistia à ampliação da isenção.
O embate entre a Abras e a equipe econômica também ocorreu em público, durante a tramitação da reforma. Em julho de 2023, Galassi levou a Appy e ao então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, um estudo sobre o impacto da proposta em discussão. O modelo previa uma alíquota de aproximadamente 12,5% para os produtos da cesta básica. Como parte desses alimentos era isenta de impostos ou submetida a uma tributação menor, a Abras estimou que, com a mudança, o total de tributos pagos sobre a cesta aumentaria cerca de 60%, na média nacional.
Appy contestou publicamente o levantamento.
