SÃO LUÍS - O comportamento de acompanhar lançamentos, integrar fã-clubes e defender artistas faz parte da construção da identidade humana e do sentimento de pertencimento comunitário. No entanto, a linha entre o apoio saudável e o fanatismo prejudicial é ultrapassada quando a admiração afeta a autonomia individual, consome a rotina diária ou descamba para ataques e perseguições virtuais. Nas redes sociais, a constante exposição da rotina de celebridades e influenciadores digitais intensifica a ilusão de intimidade, alimentando um fenômeno no qual o público passa a viver em função do outro e perde a referência da própria vida.
Durante a conversa, a psicóloga Mae Soares destacou como a cultura dos fandoms pode migrar para a desindividualização e a agressividade coletiva, como no caso do cyberbullying promovido por grupos organizados de fãs. O alerta principal é voltado aos sinais de prejuízo no cotidiano -- como alterações no sono, comprometimento financeiro e degradação das relações interpessoais fora da internet. A busca por validação em comunidades virtuais não deve se sobrepor à saúde mental nem justificar comportamentos hostis em relação a opiniões divergentes.
Veja.
