A penetração das importações de aço no mercado brasileiro chegou a 19%, quase o dobro do patamar histórico de 10%, e o setor defende a ampliação das medidas de defesa comercial para reverter esse quadro.
A avaliação é de Jorge Oliveira, vice-presidente do Instituto Aço Brasil, presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO da ArcelorMittal Aços Planos América Latina, em entrevista ao Poder360 nesta 3ª feira (29.set.2026), durante o Congresso Aço Brasil 2026, em São Paulo.
Oliveira declarou que as importações de aço saltaram mais de 150% em 2025 ante a média registrada nos 20 anos anteriores à pandemia de covid. O volume de produtos diretos importados atingiu 5,7 milhões de toneladas no ano passado, ante uma média pré-covid de 2,2 milhões.
“O arcabouço que existe hoje é o mínimo que precisa continuar”, afirmou, defendendo mecanismos adicionais como conteúdo local, salvaguardas, cotas rígidas e aceleração das investigações de dumping. Ele avaliou que a partir do 2º trimestre de 2026 já se observa uma tendência de queda nas importações, ainda insuficiente diante do nível atual.
O executivo indicou que a pressão competitiva desleal vem principalmente da China, cujo volume de produção é “gigantesco”, e declarou que o problema se estende à cadeia produtiva. No setor automotivo, citou como exemplo a participação das importações de veículos chegou a quase 18% do mercado de janeiro a julho de 2026.
Para os próximos 4 anos, o setor projeta cerca de US$ 11 bilhões em investimentos.
