Arqueólogos descobriram no Egito uma tumba de cerca de 1,7 mil anos que guarda um raro poema funerário escrito em grego antigo. Encontrada na área de Bir al-Shughala, no Oásis de Dakhla, a sepultura foi construída para um homem chamado Pisechtes e sua esposa e contém uma inscrição de 19 versos na qual o filho do morto, Sarapion, lamenta a perda do pai.
Nos versos finais, o filho se dirige diretamente ao morto com a expressão “Escute, pai!”, antes de pedir que ele receba as libações e os ritos funerários oferecidos pelos familiares. A análise inicial da inscrição, compartilhada na última sexta-feira (25) pelo Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito em comunicado nas redes sociais, sugere ainda que Pisechtes pode ter sido um juiz.
Mescla cultural egípcia e grega
O lamento foi encontrado em uma placa de pedra fixada em uma das paredes da tumba. O texto, escrito em grego, destaca qualidades do falecido, apresentado como um bondoso e sábio, além de ser descrito como um “conselheiro na vida”.
A escolha do idioma para registrar a mensagem demonstra como diferentes tradições podiam coexistir no mesmo espaço funerário. Enquanto o poema foi escrito em grego, as paredes preservam textos e imagens vinculados à religião egípcia.
A tumba traz elementos egípcios e gregos
Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito
Construída em calcário, a tumba possui uma estrutura superior em formato de pirâmide e uma escadaria de 14 degraus que conduz à entrada.
“Escute, pai”: o que diz poema encontrado em antiga tumba de 1,7 mil anos
