Depois de um dia inteiro de reuniões, tarefas e decisões, é comum a mente se desligar da tela do computador e ir parar, sem aviso, em uma lembrança da infância, de uma viagem antiga ou em uma relação que já não existe mais daquele mesmo jeito.
O fenômeno é tão comum que raramente é questionado, mas cientistas que estudam o chamado “mind wandering”, a divagação mental, vêm mapeando um padrão específico: quanto mais esgotado o cérebro, maior a chance de o pensamento migrar para trás no tempo, em vez de seguir para frente.
O que é o “mind wandering” e por que ele aumenta com o cansaço
Divagação mental é o nome técnico para os momentos em que a atenção se desconecta da tarefa em curso e passa a girar em torno de pensamentos internos, sem relação com o que está sendo feito. Estudos compilados por pesquisadores como Jonathan Smallwood, referência internacional no tema, mostram que esse tipo de pensamento ocupa uma fatia enorme do dia, estimada entre 30% e 50% do tempo em que uma pessoa está acordada.
O ponto central para entender a ligação com o cansaço está numa hipótese defendida por Jennifer McVay e Michael Kane, pesquisadores que associam a divagação mental a uma falha no sistema de controle executivo do cérebro.
Segundo esse modelo, pensamentos paralelos estão sempre sendo gerados nos bastidores da mente, mas normalmente são bloqueados para não atrapalhar a tarefa em andamento.
