O mistério sobre a origem do carbonado, o raro diamante negro e poroso encontrado no Brasil e na África Central, ganhou novas pistas. Cientistas analisaram amostras da Formação Tombador, localizada na Chapada Diamantina, na Bahia, para investigar como essas pedras incomuns se formaram.
O estudo, publicado na Gondwana Research, sugere que um antigo impacto na Terra jovem pode ter acelerado a descida de matéria rica em carbono para o interior do planeta, onde a pressão teria favorecido a formação dos diamantes. A colisão, porém, não teria criado as pedras diretamente.
A origem do carbonado
Diferente das gemas lapidadas para joias, o carbonado é formado por vários pequenos cristais e possui uma estrutura cheia de poros. Attila Demény, Péter Németh e colegas analisaram amostras da Formação Tombador, no Brasil, usando raios X, microscopia eletrônica e análises da composição do carbono.
Uma das pistas estava no brilho das pedras. A superfície lisa já havia sido comparada à crosta derretida de meteoritos, mas os pesquisadores não encontraram nos cristais examinados marcas microscópicas que indicariam um forte impacto.
Algumas amostras também tinham uma fina camada de anatase, um mineral formado por dióxido de titânio. Os pesquisadores observaram que essa camada já estava sobre os cristais de diamante quando a superfície foi modificada. Por isso, o brilho não parece ter sido criado ao mesmo tempo que a anatase.
A interpretação é que a anatase se formou primeiro.
