A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva produziu um “Guia da Conversa” para orientar militantes na abordagem a eleitores indecisos na reta final da eleição. Segundo reportagem do Estadão Conteúdo, o material trata a afirmação de que “Lula nem deve ter religião” como argumento a ser rebatido e orienta os apoiadores a responderem que “Lula é católico e sempre guiado por valores cristãos”. A cartilha circula enquanto a campanha tenta dialogar com o eleitorado religioso em meio à repercussão da notícia falsa de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Lula, de fato, já se declarou publicamente católico. Em entrevista divulgada pelo próprio PT anos atrás, afirmou: “Nunca neguei que sou católico”, ao mesmo tempo em que defendeu o caráter laico do Estado e o respeito a evangélicos, judeus e religiões de matriz africana. O presidente também possui registros públicos participando de manifestações culturais e religiosas ligadas à tradição afro-brasileira; em Salvador, por exemplo, já apareceu usando o turbante do afoxé Filhos de Gandhy, grupo de forte ligação histórica com o candomblé.
Esses registros, porém, não demonstram que Lula seja praticante do candomblé nem contradizem, por si só, sua declaração de ser católico. Participar de cerimônias ou usar símbolos ligados a outras tradições religiosas pode representar aproximação cultural ou política, e não necessariamente mudança de religião.
