A inteligência artificial vai aumentar a conta de luz dos brasileiros? A pergunta é legítima, mas a resposta não pode ser automática. O Fórum Econômico Mundial registrou a expectativa de economistas de que a expansão dos data centers pressione os sistemas elétricos, eleve custos locais e provoque resistência das comunidades. O alerta merece atenção. Transformá-lo, porém, em condenação prévia à infraestrutura digital seria um erro.
A demanda por eletricidade cresce por razões muito mais amplas. As famílias usam mais ar-condicionado, equipamentos domésticos, serviços digitais e tecnologias que aumentam o conforto e a produtividade. O consumo energético per capita tende a crescer à medida que melhora o padrão de vida. Isso é desejável, desde que a expansão seja acompanhada de eficiência, inclusão e responsabilidade ambiental.
Também é preciso separar duas questões. Uma é o aumento do consumo total de energia. Outra é o aumento do preço de cada quilowatt-hora. A tarifa resulta de geração, transmissão, distribuição, encargos, tributos e decisões regulatórias. Se um data center exigir novas linhas ou subestações, é justo discutir quem deve pagar por elas. Não é correto, entretanto, atribuir automaticamente toda pressão tarifária a um único setor.
O Brasil pode escolher outro caminho. No Nordeste, há enorme expansão eólica e solar, mas também períodos de curtailment, quando a geração renovável é limitada por falta de transmissão, flexibilidade ou demanda.
