Uma cena vista com tristeza por muitos pais brasileiros vem se repetindo ano após ano: os filhos que, aos nove anos, devoravam livros de heróis e aventuras chegam aos 14 sem abrir nenhum, exceto os didáticos, e ainda assim com muita má vontade. A escola continua no mesmo lugar, mas o hábito da leitura ficou pelo caminho.
Longe de ser preocupação excessiva, o cenário aparece nos números. Pela primeira vez desde 2007, o Brasil passou a ter mais não leitores (53%) do que leitores (47%), segundo a 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, divulgada em 2024. Em quatro anos, o país perdeu 6,7 milhões de leitores.
O mais preocupante é que a queda acontece justamente durante os anos de escola. Entre estudantes do 1º ao 5º ano, a proporção de leitores caiu de 49% para 40% na comparação com 2019. Do 6º ao 9º ano, passou de 54% para 49%. Se a perda ocorre durante a escolarização, será que a escola pode fazer alguma coisa para evitá-la?
A dificuldade dos estudantes brasileiros com a leitura também aparece nas avaliações internacionais. Nos resultados do Pisa 2025, divulgados pela OCDE em 8 de setembro, apenas 49% dos estudantes brasileiros de 15 anos atingiram ao menos o nível básico de proficiência em leitura, mais da metade ficou abaixo. Em pontos, o país fez 408, contra 466 da média da OCDE.
