Em uma sala de tribunal no Texas, 25 crianças migrantes ocupavam os bancos na segunda-feira. Uma, de 6 anos, fingia pilotar um avião. Outra, de 3 anos, brincava com o microfone. E uma adolescente tentava fazer contato visual com uma amiga. O juiz lembrou a todos o que estava em jogo.
“Eu vejo que você está sorrindo e acha que esses procedimentos têm graça, mas preciso que você preste atenção”, disse o juiz à adolescente. “Eles podem determinar se você permanece no país ou é removida.”
Crianças migrantes com apenas 2 anos estão comparecendo a tribunais de imigração em todo o país, muitas sem advogados, para defender seu direito de permanecer nos EUA e evitar a deportação.
Dentro do tribunal de imigração em Harlingen, Texas, na segunda-feira, assistentes sociais explicavam discretamente aos menores quem era cada pessoa presente, do intérprete e da secretária ao juiz de toga preta.
A maioria das crianças, vestidas formalmente com o cabelo bem penteado, esperava impaciente pelo juiz. Entre os primeiros a comparecer perante o juiz estava um menino hondurenho de 13 anos chamado Angel. Ele não tinha advogado.
Questionado sobre se havia algum motivo pelo qual não poderia retornar a Honduras, Angel disse ao juiz: “Minha mãe e quase toda a minha família estão aqui. É perigoso demais voltar.”
Mas isso não foi suficiente para o juiz, que disse ao menino que ele não se qualificava para asilo.
