Matias López é professor assistente da Escola de Ciência Política, Diego Portales University; Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O texto a seguir foi originalmente publicado no site The Conversation, que reúne artigos escritos por pesquisadores. Vale a visita.
Talvez você já tenha se incomodado com alguns posicionamentos de sua candidata ou seu candidato durante as eleições. Muitas vezes, parecem se afastar muito das suas ideias, principalmente se você tem posições fortes. Afinal, em toda campanha eleitoral, os partidos têm que decidir quais eleitores precisam tentar convencer e quais podem deixar de lado. Mas com base em que eles tomam essa decisão?
Uma das teorias mais usadas na ciências sociais para explicar esse fenômeno é o teorema do eleitor mediano. Trata-se de um modelo matemático proposto por Anthony Downs em 1957 para explicar por que partidos com posições ideológicas diferentes acabam defendendo políticas semelhantes. O foco inicial era entender os governos democratas e republicanos nos Estados Unidos e depois acabou se estendendo a outros contextos. Porém, hoje há divergências sobre se o teorema é mesmo fiel à realidade.
O que diz o teorema do eleitor mediano
O modelo de comportamento dos partidos é baseado em duas premissas simples. A primeira é que, tanto eleitores como políticos agem racionalmente. Os primeiros buscam ocupar cargos, já os últimos buscam obter benefícios do governo.
