Há décadas, pesquisadores observam um comportamento intrigante entre chimpanzés e bonobos: algumas mães continuam carregando seus filhotes nas costas mesmo depois que eles morreram. Em determinados casos, o transporte pode durar semanas ou até meses, tempo suficiente para que os corpos se "mumifiquem".
O fenômeno, conhecido como transporte de cadáveres de bebês, é amplamente documentado entre esses primatas, mas suas causas ainda não são completamente compreendidas. Uma nova pesquisa da Universidade de Oxford, publicada na revista Biology Letters, reuniu dados de diferentes locais para investigar quais fatores estão relacionados ao tempo que as mães mantêm os filhotes mortos consigo.
Quanto tempo?
Para investigar o fenômeno, os pesquisadores Reece Hammond, doutorando na Escola de Antropologia e Etnografia de Museus de Oxford, e Thomas A. Püschel, professor associado Wendy James de Antropologia Evolutiva na mesma instituição, analisaram 83 casos registrados em 15 locais diferentes.
Em vez de observar diretamente um único grupo de animais, a equipe reuniu casos descritos na literatura científica. A estratégia permitiu comparar diferentes populações e procurar padrões que pudessem ser generalizados para a espécie.
“Ao reunir uma grande amostra de casos de 15 locais distintos, podemos tirar conclusões generalizáveis em nível de espécie sobre o comportamento: isso é algo que não pode ser feito usando casos de apenas um local ou subespécie”, explica Hammond, em comunicado.
Por que estes macacos podem carregar filhotes mortos nas costas por meses
