Todas as noites, um dos homens que Ron McAndrew matou sentava-se aos pés de sua cama e encarava, com um olhar vazio, sua alma atormentada.
McAndrew foi diretor da Penitenciária Estadual da Flórida, o presídio onde o estado executa os condenados à morte, até 1998. Ele liderou uma equipe que executou três prisioneiros por eletrocussão e, em seguida, foi ao Texas para auxiliar nas injeções letais de vários outros homens.
“Eles nunca disseram nada”, lembra McAndrew, sua voz já um tanto rouca pelo peso da lembrança. “Eles simplesmente ficavam sentados ali me olhando.” Mas os olhos deles falavam.
Eles perguntavam: “Como você pôde fazer uma coisa dessas?”, diz McAndrew. “Você sempre disse que era uma boa pessoa. E agora está matando pessoas.”
O ex-diretor da penitenciária se arrepende de tudo. “Eu realmente acreditava na pena de morte“, diz ele. “Hoje, não consigo acreditar que acreditei nisso. Simplesmente não consigo acreditar.”
Agora com 88 anos, McAndrew tornou-se um opositor improvável da pena de morte. Ele está tentando, com o tempo que lhe resta, corrigir oito erros. “Tive que olhar para mim mesmo”, afirmou ele. “Você realmente começa a pensar no que fez. Por que fez”.
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