A presidente do BCE (Banco Central Europeu), Christine Lagarde, afirmou nesta segunda-feira (28) que a instituição considera apropriada uma resposta “moderada” de política monetária para manter a inflação sob controle, diante do choque de energia e do cenário ainda cercado por elevada incerteza.
Em audiência no Parlamento Europeu, ela reiterou que o BCE não reage diretamente aos preços de energia, mas aos riscos de que a alta se incorpore à inflação.
Lagarde disse que a inflação da zona do euro avançou a 3,2% em agosto, de 2,9% em julho, com a inflação de energia acelerando de 10,3% para 14,3%. Já o núcleo, que exclui energia e alimentos, recuou marginalmente a 2,4%.
Segundo ela, até o momento, os salários não mostram resposta material ao choque energético, com a remuneração por empregado desacelerando de 3,6% no primeiro trimestre para 3,3% no segundo.
A presidente do BCE afirmou que a instituição vê inflação mais alta à frente, sobretudo em 2027 e 2028, mas ainda sem sinais de que o choque de energia esteja se tornando persistente.
“Não vemos evidências, neste estágio, de que os preços de energia estejam se transmitindo para salários mais altos”, disse. Ao mesmo tempo, os juros de longo prazo subiram de forma significativa desde a última reunião.
Lagarde reiterou que o BCE segue em um “caminho intermediário” na condução da política monetária. Segundo ela, o choque é grande demais para ser ignorado, mas uma resposta moderada é apropriada neste momento.
