Agora esclareço, compreender a gravidade do que pode ocorrer e seus efeitos sobre o nosso “Custo Brasil”, é preciso observar o principal foco dessa volatilidade, o cenário norte-americano. Nos Estados Unidos, os preços do diesel atingiram o maior valor de todos os tempos, superando a marca de US$ 6,50 por galão. Diante deste cenário, o governo americano passou a considerar uma proibição total das exportações, o que manteria quase 2 milhões de barris por dia dentro do país. A intenção é ampliar a oferta interna e reduzir os preços antes do inverno rigoroso no Hemisfério Norte. Entretanto, especialistas alertam que, embora a intenção seja aliviar o mercado doméstico, um bloqueio de exportações nessa proporção pode gerar uma instabilidade profunda nas cadeias de suprimentos globais, com um potencial efeito bumerangue (rebote) sobre os custos de importação dos próprios americanos.
Para dimensionar o problema, é preciso observar os indicadores centrais da balança comercial de combustíveis americana. Segundo dados da Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA), as refinarias do país produzem aproximadamente 5,3 milhões de barris de diesel e combustíveis relacionados por dia. Como a demanda interna necessita de 3,6 milhões de barris diários, gera-se um excedente natural de cerca de 1,7 milhão de barris.
