Todo mundo fala em rosto de Ozempic, bumbum de Ozempic e sabe-se lá mais o quê de Ozempic.
Mas ninguém fala da “barriga de Alzheimer”.
Claro que esse diagnóstico não existe. Não é uma doença nem aparece descrito nos estudos científicos. Mas, até aí, “bumbum de Ozempic” também não aparece, não é mesmo?
Eu inventei “barriga de Alzheimer” para explicar aos pacientes uma conexão pouco visível: a relação entre a gordura acumulada dentro do abdômen e a forma como poderemos viver a terceira idade.
Vou explicar: um estudo recente, publicado na revista científica Neurology, acompanhou 8.797 pessoas durante aproximadamente 35 anos.
Os pesquisadores avaliaram a relação entre a medida da cintura e a altura dos participantes durante a meia-idade. Décadas depois, quando eles já estavam próximos dos 78 anos, investigaram a presença de alterações relacionadas à doença de Alzheimer.
As pessoas que, na meia-idade, apresentavam uma relação cintura-altura igual ou superior a 0,60 tinham níveis 12,8% maiores de p-tau217, um marcador relacionado ao Alzheimer.
Nesse mesmo grupo, a combinação entre o marcador positivo e o diagnóstico clínico da doença também foi mais frequente.
Isso não significa que uma pessoa com a cintura aumentada desenvolverá Alzheimer. O estudo demonstrou uma associação, mas não provou que a gordura abdominal seja a causa da doença.
Essa história também não começou agora.
