Nas eleições de 2026, o Instituto Questão de Ciência (IQC) se uniu com a Super e com a Veja Saúde para avaliar as propostas dos candidatos à presidência em ciência, tecnologia e saúde. Este é o texto inaugural da série; as demais reportagens serão publicadas até 4 de outubro, o dia do pleito, nos sites das duas revistas. Acompanhe aqui e nas redes sociais: @iqciencia, @revistasuper e @veja_saude.
Péricles nunca precisou protocolar um plano de governo. Na Atenas Clássica, nem sequer havia partidos: os cidadãos - categoria em que se enquadravam apenas homens livres filhos de pais atenienses - votavam as leis diretamente em assembleias, e boa parte dos cargos públicos era preenchida aleatoriamente. Havia até uma máquina de sorteio rudimentar, chamada kleroterion, para evitar manipulação. Existiam, é claro, panelinhas em torno de líderes influentes. Mas nada parecido com uma organização permanente - tampouco um programa.
Os embriões dos partidos políticos contemporâneos surgiram no século 17, mas eram clubinhos aristocráticos: só podia votar um grupo seleto de proprietários de terras, coisa rara na época. Às vésperas da primeira grande reforma eleitoral britânica, em 1832, a Inglaterra e o País de Gales tinham cerca de 366 mil eleitores numa população de 13,9 milhões. Isso dá 2,6%. Todos eram homens, claro. A reforma expandiu a base para cerca de 20% dos homens adultos.
