A resistência dos produtores em negociar e as preocupações com o clima marcam os mercados brasileiros de soja e milho, mas têm efeitos diferentes sobre os preços. Enquanto a menor oferta mantém as cotações da oleaginosa firmes, o cereal registra apenas pequenos ajustes, diante de uma demanda pontual e da expectativa de maior disponibilidade para negociação nas próximas semanas.
No mercado da soja, os produtores evitam vender grandes volumes tanto para entrega imediata, com os estoques remanescentes da safra 2025/26, quanto em contratos a termo da temporada 2026/27, como mostra o boletim do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) divulgados nesta segunda-feira (28).
A postura restringe a oferta e dá sustentação aos preços domésticos da oleaginosa.
Segundo o Cepea, as preocupações com os possíveis impactos do El Niño no desenvolvimento da nova safra e a valorização do dólar frente ao real também contribuíram para manter os “valores firmes” nos polos de negociação.
A soja conta, ainda, com suporte internacional. Especulações sobre acordos entre China e Estados Unidos elevaram as cotações nos últimos dias, enquanto a valorização do farelo reforçou esse movimento, de acordo com o centro de pesquisas.
No milho, a incerteza climática também leva agricultores a limitar a oferta no mercado à vista. Após chuvas excessivas no Sul e no Sudeste, os produtores avançam com a semeadura atentos às condições meteorológicas dos próximos meses.
