Você entra numa loja, escolhe um chinelo, paga e o vendedor entrega um pé só. Você aceitaria? Provavelmente perguntaria onde está o outro. Chinelo vem em par, e ninguém precisa explicar isso. Guarde essa imagem.
Nesta semana, conversei com Renato Figueiredo. Empresário com experiência em eventos, palcos e logística, ele costuma olhar para os problemas como desafios a resolver. Agora, está entrando na política, numa chapa ao Senado, e vive um dos períodos mais intensos da vida. Perguntei como estava. Ele respondeu: “Achei umas inconsistências. Falta uma semana. Basta alinhar a direita e resolver.”
Foi então que disse algo: “Se o primeiro lugar é cem por cento Bolsonaro, se a gente vai na mesma direção, se a palavra é renovação, então quem é o segundo? Se a gente tem o primeiro, a gente tem que ter o segundo.”
Mas por que se fala tão pouco do segundo voto?
No próximo domingo, dia 4, estarão em disputa 54 das 81 cadeiras do Senado. Cada estado e o Distrito Federal elegerão dois senadores, e cada eleitor poderá votar em dois candidatos diferentes. Os eleitos terão mandato de oito anos.
O Senado tem papel central nessa eleição. Cabe à Casa aprovar indicações para o Supremo Tribunal Federal e julgar ministros do STF em crimes de responsabilidade. Por isso, qualquer projeto de renovação que pretenda influenciar os rumos do país passa também pela composição do Senado.
Os números ajudam a dimensionar o problema.
