O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), usou as redes sociais no domingo, 27, para pregar uma "profunda reforma" no Judiciário e no sistema financeiro. O discurso moralizador do decano ocorre dias depois de mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) revelarem reuniões em seu gabinete ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O magistrado chamou o modelo do Banco Master de "parasitário" e cobrou apurações do Ministério Público e da OAB contra juízes e advogados. A postura defensiva tenta reverter o desgaste provocado no STF pelas mensagens encontradas no celular do dono da instituição financeira.
Omissão de trecho e reunião no gabinete
No dia 18 de setembro, Gilmar usou um trecho de mensagem de Vorcaro para alegar que sempre contrariou os interesses do banco. O ministro citou a frase "Gilmar está contra mim" para defender sua imparcialidade nos julgamentos de precatórios do setor sucroalcooleiro.
O decano omitiu o início da mensagem do banqueiro, que revelava um pedido urgente de ajuda antes do recebimento do empresário em seu gabinete no STF. A Polícia Federal registrou a audiência privada entre o magistrado e o dono do Banco Master para tratar das ações bilionárias.
Almoço com autoridades e contrato de R$ 500 mil
Mensagens de Vorcaro revelaram ainda a articulação do banqueiro com a cúpula de Brasília. "Vou estar no almoço com Gonet. Gilmar deve estar", escreveu o dono do banco em recado enviado a um advogado em janeiro de 2024.
