Alfredo Suppia é professor associado do Departamento de Multimeios, Mídia e Comunicação do Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O texto a seguir foi originalmente publicado no site The Conversation, que reúne artigos escritos por pesquisadores. Vale a visita.
Há mais de sessenta anos, um filme quase esquecido da produtora Pedregal Filmes imaginava agentes estrangeiros infiltrados no Brasil, irradiando mensagens subliminares pelas antenas de rádio e televisão do país, iriam levar a população à violência e ao clamor por uma “revolução” sem sentido.
O Quinto Poder, dirigido em 1962 pelo italiano Alberto Pieralisi com roteiro de Carlos Pedregal, é hoje um filme praticamente invisível, mesmo para o público cinéfilo.
Mas revisto à luz da conjuntura atual (com o Supremo Tribunal Federal sob ataque, as eleições de 2026 se aproximando em meio a um clima de guerra híbrida, e evidências cada vez mais concretas de que uma potência estrangeira financia juristas, políticos e formadores de opinião interessados em manter o Brasil na condição de país subalterno), o enredo deste filme brasileiro de ficção científica distópica deixa de parecer curiosidade de arquivo para se tornar quase um símbolo de tempos obtusos.
