*Marlon Reguelin
Desde que foi lançado em 1972, a trilogia O Poderoso Chefão povoa o imaginário coletivo de milhões de pessoas que maravilharam-se com as atuações de Marlon Brando, Al Pacino, Diane Keaton, entre várias outras estrelas do cinema mundial. Um dos grandes trunfos das artes cénicas é transmutar a vida real à dramaturgia, incluindo aqui e acolá elementos cotidianos que enriquecem o enredo e mimetizam a vida de quem está do lado de cá da telona.
Na sessão da ultima terça-feira (15) no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes discursou em defesa do colega Alexandre de Moraes, este sob investigação (indireta) por estreitíssima relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, do falido Banco Master, com palavras/frases que não deixam margem para interpretação: "Eu protejo você; Relação de máfia; Isso não se faz, não é ambiente de pessoas dignas. [...] Mesmo o colega que esteja eventualmente envolvido, que teve um filho [envolvido], não pode estar submetido a esse tipo de vexame”. O vexame, no caso, é a possibilidade de aprofundamento da investigação contra Moraes.
Gilmar, ele próprio, usou a palavra: Máfia. Ele próprio invocou o código dela.Só faltou urrar “omertà", em italiano mesmo para fechar a comparação, mas o espírito dela já estava todo ali.
Vale registrar o cenário de onde ele veio para dizer isso.
