Na Ilha Lord Howe, na Austrália, cientistas estão há 15 anos estudando a ingestão de plástico por aves. Essa é a pesquisa mais longeva sobre a contaminação de animais selvagens através desse material. É conduzida por especialistas do Adrift Lab, instituição voltada a estudos sobre poluição marinha e suas consequências para a fauna.
Este mês, os pesquisadores revelaram um dado espantoso: encontraram 894 pedaços de plástico no organismo de um único filhote. Trata-se de uma pardela-de-pés-rosados (Ardenna carneipes) e esse número representa um recorde no estudo até então.
A pesquisa mostra que as aves da região estudada estão gradativamente ingerindo mais plástico. Em comunicado, a Adrift Lab aponta que essa conclusão não poderia ser tirada em uma análise de três ou cinco anos. “É somente com a série completa de 15 anos que surge uma tendência inconfundível: um aumento rápido e acelerado na quantidade acumulada de plástico nos filhotes mais afetados, especialmente desde 2022”, diz a publicação.
No estudo, o recorde anterior datava de 2011. Foram encontrados 276 fragmentos em um filhote de 90 dias. Os cientistas achavam que essa quantidade não poderia aumentar, mas estavam errados. De acordo com o Museu de História Natural de Londres, em 2023 os cientistas encontraram 400 fragmentos em um filhote. Desde então, esse número foi crescendo.
Quase 900 pedaços de plástico são encontrados no organismo de uma única ave
