A escassez de doadores e de órgãos dificulta a realização de transplantes pediátricos no Brasil. Reportagem da Folha de S.Paulo mostra que a recusa das famílias é um dos obstáculos enfrentados pelas equipes de saúde.
Entre janeiro e julho de 2026, o país realizou 278 transplantes pediátricos de órgãos, segundo o Ministério da Saúde. A baixa quantidade de doadores infantis torna a espera especialmente difícil para crianças que precisam de um novo órgão.
O desafio da doação entre vivos
Encontrar órgãos para crianças pode ser mais difícil porque o tamanho e o peso do doador precisam ser adequados ao receptor. Segundo Eduardo Antunes da Fonseca, diretor do departamento de transplante hepático do Hospital Sírio-Libanês, apenas cerca de 2% das notificações de doadores falecidos correspondem a crianças.
Foi nesse cenário que Felipe Oliveira Costa, de 7 anos, precisou recorrer à doação em vida. Depois de uma reação medicamentosa que evoluiu para cirrose e insuficiência hepática, o menino entrou na lista de espera por um transplante de fígado.
Como nenhum órgão compatível apareceu, o pai, Abimael Maurício Oliveira Silva, decidiu doar parte do próprio fígado. Para realizar o procedimento, precisou perder peso e passou por preparação médica.
“Como não apareceu, conversamos com o pai, que se prontificou a doar parte do fígado ao filho. Ele poderia morrer esperando pelo transplante”, afirmou Fonseca à Folha.
