O governo Lula realizou na sexta-feira 25 uma investida de aniquilação das “bets”, que nada mais são do que sites de apostas ou jogos de azar. Trata-se da versão virtual dos cassinos, do “jogo do bicho” ou das loterias que o próprio Estado mantém. A pauta, entretanto, tem apoio também entre políticos de direita, o que a torna um tema particularmente sensível. Não podemos deixar de enfrentá-la, por delicada que seja, sob um ponto de vista liberal.
É paradoxal que nossos políticos há tanto tempo defendam condenar essas práticas por força de lei quando desenvolvidas pelo setor privado, supostamente maligno, “excessivamente ganancioso” e desprovido de solidariedade, mas aceitem que o Estado preserve loterias próprias sob o argumento de que o governo destinaria parte das receitas ao cumprimento de suas “funções sociais”. Além de absolutamente incoerente, a lógica por detrás de tentativas de proibição provém da mesma velha essência paternalista que tanto contamina a nossa cultura política, partindo do princípio de que o Estado deve tutelar a população.
Uma aposta é o investimento de tempo e recursos, por livre vontade, em um jogo no qual ganhos e perdas financeiros estão envolvidos. Ninguém obriga ninguém a apostar.
