Nos dias de hoje, existe um certo lado da internet em que a masculinidade parece ter virado um placar de videogame: quem é mais forte, mais bonito, mais influente e mais pegador é mais másculo, enquanto os que pontuam mal nesses quesitos são menos. Isso se traduz numa dinâmica de superioridade e dominância: no topo estão os “machos alfa” e, na parte de baixo, os “beta” ou “soyboys”, entendidos como fracos e submissos.
Essa dinâmica traz para o contexto humano o que era, originalmente, um termo cunhado para animais. O conceito de “alfa” surgiu na década de 1940 com o etólogo alemão Rudolf Schenkel, que estudou lobos em cativeiro. Mais tarde, em 1970, o biólogo L. David Mech popularizou o termo ao publicar o livro The Wolf. O próprio Mech, hoje com 89 anos, admite que o conceito ganhou força por causa de seu livro, mas está ultrapassado.
Segundo esse conceito, nas matilhas de lobos, existiria uma hierarquia social em cujo topo estaria sempre o “macho alfa”, um animal que lidera o grupo por ser fisicamente superior e mais atraente para as fêmeas. Aos demais lobos, não restaria opção a não ser seguir esse alfa.
Existem dois problemas aí: o primeiro é que uma dinâmica observada em animais nem sempre se mostra verdadeira para seres humanos. O segundo é que, mesmo entre os lobos (ou os cachorros, como é o caso do vídeo viral da foto em destaque deste texto), toda essa história de “macho alfa” é ultrapassada. Este texto da GALILEU aqui explica mais sobre a relação em cães.
Por que o conceito de “macho alfa” não existe de verdade
