Embora seja considerada um dos maiores avanços no tratamento do tipo mais comum de câncer de pulmão -conhecido pela sigla CPCNP-, a imunoterapia apresenta uma eficácia que varia significativamente de paciente para paciente. Por esse motivo, diversos grupos de pesquisa têm se dedicado a identificar biomarcadores que ajudem a prever quais indivíduos têm maior probabilidade de responder ao tratamento.
Uma dessas estratégias, que utiliza equipamentos amplamente disponíveis em laboratórios de análises clínicas, foi descrita em artigo publicado em junho na revista iScience. Na avaliação dos autores, a abordagem pode ajudar a planejar melhor o tratamento e viabilizar a ampliação do acesso à imunoterapia no SUS (Sistema Único de Saúde).
O CPCNP (sigla para câncer de pulmão de células não pequenas) representa em torno de 85% de todos os tumores pulmonares, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), e frequentemente é detectado em estágios já avançados. No estudo, pesquisadores apoiados pela FAPESP analisaram amostras de sangue de pacientes com tumores metastáticos antes do início da terapia para mapear o estado de suas células de defesa. Compreender esse perfil é o 1º passo para contornar um dos maiores desafios da oncologia: a capacidade de alguns tumores de silenciar a resposta do sistema imune.
No caso do CPCNP, isso se dá por meio da ativação de duas proteínas que se encontram na membrana dos linfócitos T, um grupo de células do sistema imune.
