Uma equipe internacional de pesquisadores descobriu que o cérebro apresenta uma pausa prolongada na atividade neuronal logo antes de uma crise epiléptica. Além de comprovar que essa “calmaria” funciona como um marcador confiável para prever a ocorrência de convulsões, o estudo sugere que é possível intervir nesse exato momento, reduzindo significativamente a duração das crises epilépticas.
A descoberta, divulgada na revista Scientific Reports, traz novas perspectivas para o tratamento da epilepsia, uma doença neurológica caracterizada por descargas elétricas anormais e excessivamente sincronizadas no cérebro, que causam convulsões e podem comprometer funções físicas e cognitivas. O distúrbio afeta cerca de 52 milhões de pessoas no mundo.
“Esse silenciamento dos neurônios já havia sido observado em outros estudos, mas pudemos confirmá-lo tanto em pacientes quanto em modelos computacionais. A partir disso, conseguimos entender como a dinâmica lenta dos canais de potássio [estruturas na membrana celular que funcionam como freios para a excitabilidade elétrica do neurônio] está ligada à sincronização neuronal exacerbada e descrever a atividade elétrica dos neurônios antes e durante as crises. Com isso, foi possível explicar como o padrão neural se forma e propor sua utilização como biomarcador confiável para prever convulsões”, explica Fernando da Silva Borges, pesquisador colaborador da Universidade Federal do ABC (UFABC) e coautor do artigo.
