O maior desafio para o mercado brasileiro são os juros altos, e uma maior visibilidade sobre a política fiscal do país se torna necessária, afirma a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória. A declaração foi dada durante entrevista no Inter Invest Summit, realizado em Belo Horizonte.
“A razão dos juros altos está no fiscal mais expansionista, como a gente viu nos últimos anos, por isso que o mercado está muito de olho nesse programa fiscal, porque é esse programa ou a credibilidade desse programa que vai permitir com que o Banco Central possa cortar os juros de maneira mais acelerada em 2027”, aponta.
Vitória avalia que, embora a taxa de juros elevada seja favorável para o investidor de renda fixa, ela também se torna fonte de problemas no crédito e no endividamento das famílias. A economista afirma que o cenário atual se aproxima de um limite que exige a redução da Selic.
“A gente está chegando próximo desse limite, de fato, o Banco Central já começou o início dessa calibração, a gente começou o ano com uma taxa de juros de 15%, hoje está 13,75, é uma queda lenta ainda e gradual, mas a gente está no caminho desse alívio dos juros também para as famílias”, acrescenta.
Ainda assim, ela avalia que os estímulos fiscais acabaram contribuindo para a manutenção dos juros elevados, tornando o ritmo de cortes mais lento, mas afirma que ainda há espaço para uma redução.
