A queda do petróleo abaixo dos US$ 100 trouxe algum alívio para as perspectivas inflacionárias globais, mas especialistas alertam que o desafio da inflação nos Estados Unidos vai muito além do conflito no Oriente Médio.
Para Gustavo Cruz, estrategista-chefe da Sincra, o cenário de pressão sobre os preços americanos tem raízes mais profundas e pode persistir por anos - o que torna difícil vislumbrar a inflação do país retornando à meta de 2% ao ano.
O PCE - principal indicador da inflação nos EUA - subiu 0,2% em julho, e alta de 3,7% em comparação anual.
Em entrevista ao CNN Money, Cruz avaliou que, mesmo que um acordo entre Irã e Estados Unidos fosse firmado imediatamente, os efeitos sobre os preços de petróleo, gás e derivados não seriam eliminados de forma automática.
“Nada impede que petróleo, gás e produtos derivados do petróleo, plásticos, continuem muito elevados para os Estados Unidos e para o resto do mundo nos próximos meses”, afirmou.
O estrategista destacou que a guerra comercial americana contra o restante do mundo tem sido um fator igualmente relevante para a inflação doméstica nos Estados Unidos. Segundo Cruz, diferentemente do primeiro mandato, quando as tarifas eram direcionadas principalmente à China, a atual política tarifária abrange uma parcela muito maior de países.
