*Alex Pipkin
O antissemitismo não voltou. Apenas conseguiu um novo atestado de virtude para circular em público. O preconceito mais antigo do mundo jamais exigiu que o judeu fosse culpado; precisou apenas que cada época inventasse uma justificativa respeitável para odiá-lo. O que na Idade Média ostentava a túnica da teologia e no século passado vestia a farda da biologia, hoje desfila com a camiseta do ativismo humanitário.
A doença é antiga; o álibi é que se moderniza. Encontrou abrigo na militância juvenil e em velhos sectários ideológicos, alimentados pela liturgia dos slogans de rede social. História, geografia e geopolítica exigem estudo. O slogan exige apenas repetição. Quando os fatos incomodam o dogma, pior para os fatos. Para essa gente, o judeu só parece aceitável enquanto vítima. Defender-se é a sua transgressão.
Criticar governos israelenses e suas operações militares é absolutamente legítimo. Israel é um Estado, não um dogma. Outra coisa é responsabilizar judeus coletivamente, relativizar massacres quando os assassinos carregam a bandeira ideologicamente certa, negar a Israel o direito de existir ou cobrar do Estado judeu uma pureza moral que ninguém exige de seus inimigos. Aí a geopolítica deixa de explicar e passa a servir de biombo para o preconceito.
O antissemita nunca precisou de ideologia própria. Aluga a narrativa disponível.
