O governo tentou trazer as apostas online para dentro da lei. Autorizou empresas, arrecadou tributos e prometeu fiscalização. Agora, a poucas semanas da eleição, Lula decidiu proibir as bets esportivas e os cassinos virtuais.
O problema social é real. Mas por que o governo só resolveu fechar a porta depois de ajudar a abrir o mercado?
As apostas esportivas de quota fixa foram autorizadas em 2018, antes do atual governo. Em 2023, a lei sancionada por Lula regulamentou o setor e incluiu os jogos online. O mercado federal regulado começou a funcionar em 2025.
O palpite sobre uma partida de futebol e as rodadas de um cassino no celular passaram a conviver sob a mesma legislação. O chamado “Tigrinho” tornou-se a face mais visível desse universo, embora não seja o único jogo envolvido.
Não seria honesto dizer que Lula inventou as bets. Mas seu governo desenhou as regras sob as quais o setor cresceu e passou a render dinheiro aos cofres públicos. Nesse sentido, criou o monstro que agora diz querer domar.
O dinheiro que saiu do bolso
A dimensão econômica desse problema impressiona. Um estudo do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda e do Centro Celso Furtado estimou em R$ 62,5 bilhões a saída líquida de recursos das famílias para as apostas em 2025.
É dinheiro que, ao sair do orçamento doméstico, deixa menos espaço para outras despesas. Isso não significa, porém, que o PIB tenha perdido automaticamente o mesmo valor.
