*Matheus Baumbach
Será que a polarização brasileira nasce apenas da sociedade? As regras do jogo político podem reforçá-la. Candidatos e eleitores adaptam seu comportamento ao que esperam uns dos outros.
Na teoria dos jogos, o equilíbrio de Nash descreve uma situação em que ninguém melhora seu resultado alterando a própria estratégia enquanto os outros mantêm suas escolhas. O desfecho não precisa ser bom para todos: basta que nenhuma mudança individual ofereça vantagem.
Em uma disputa dominada por dois campos, cada candidato decide se busca o centro ou protege sua base. Moderar-se pode ampliar sua aceitação, mas também desmobilizar apoiadores sem garantir votos do outro lado. Quando a rejeição ao adversário e a necessidade de mobilização recompensam mais a fidelidade da base do que a persuasão dos indecisos, permanecer no polo parece mais seguro. Se o concorrente concluir o mesmo, proteger a base torna-se uma estratégia da qual nenhum dos dois quer se afastar sozinho, ainda que ambos prefiram uma disputa menos polarizada.
O modelo demonstra que as regras, por si sós, não criam polarização. Lideranças que exploram a rejeição do adversário e redes sociais que premiam o confronto, entre outros fatores, também alimentam essa dinâmica. O equilíbrio de Nash evidencia como as instituições podem reforçar a divisão ao incentivarem certos comportamentos e tornarem outros mais arriscados.
O eleitor enfrenta um cálculo semelhante.
